Teatro

Começamos a executar nossos projetos de teatro em 2001 com a Instalação Cênica “Sábia Sarjeta”, onde Glauber e Valéria estiveram experimentando o teatro de autogestão, opção traçada em pesquisa dentro da Universidade Federal de Alagoas – UFAL. “Pega ladrão” surge em 2004 reafirmando que a arte desenvolvida dentro do grupo parte de uma premissa para reflexão, neste caso, da violência. Com “Não Tenho Palavras” o grupo trata da comunicação entre os jovens contemporâneos imersos no mundo virtual e no hiperconsumismo dentro de uma encenação que se confunde com performance art. Com “Menina Planta” levamos nosso teatro para a rua e ampliamos nossa responsabilidade social numa abordagem sobre o uso da medicina popular. Este conjunto de obras de teatro apresenta uma rusticidade artesanal que se mostra, tanto na estética, como na prática da produção e no uso de tecnologias recicladas. A autogestão está presente em todas as obras, explicitando o pensamento do “faça você mesmo”. Ambos os projetos foram premiados em programas de fomento e festivais.

MENINA PLANTA – 2006

[nggallery id=16]

Esta obra nos fortalece no cumprimento do nosso ofício que é investigar uma verdade maior, extracotidiana, na construção de um ritual, um ato de amor e compromisso social. Em Menina Planta apresentamos uma tradicional raizeira que leva o conhecimento da medicina popular (cultivo, preservação e uso das plantas medicinais) e muita arte (festa e alegria) até a feira, a praça, a rua, a beira do rio… Este Projeto vem continuar as pesquisas desta associação, que tem como princípio a investigação de linguagens artísticas, que venham cumprir uma função social através da reflexão do mundo contemporâneo, num diálogo com as antigas tradições eruditas e populares. Este projeto foi contemplado pelo Programa BNB de Cultura – Artes Cênicas – 2005, com o intuito de realizar itinerâncias capazes de difundir o uso da medicina popular e o incentivo ao plantio de árvores nativas. Menina Planta estreou em 15 de Maio no FAZ – Festival da América do Sul – Brasil/Bolívia – 2006, onde realizou mais duas apresentações dentro do próprio festival. Com este projeto, realizamos uma pesquisa Cênica e Temática, montando uma obra de teatro de rua, cuja cena provem da investigação sobre os tradicionais raizeiros do nordeste, da métrica e rima dos cordéis e da performance dos personagens populares das ruas e feiras contemporâneas. Investigamos nosso objeto de estudo, dentro dos limites do levantamento etnobotânico das 100 plantas medicinais mais usadas pela população do bairro de Casa Amarela, no Recife, realizado pelo CNMP – Centro Nordestino de Medicina Popular. A obra, fruto desta pesquisa, é didática e divertida, para que alcance tanto comunidades urbanas quanto rurais. Acreditamos, estar desenvolvendo uma prática de grande interesse para região nordeste. Primeiramente por lançarmos mão de linguagens oriundas da cultura nordestina (o cordelista, o embolador e as artimanhas criadas pelo vendedor de feira), para compormos uma cena de fácil acesso, apoiada tanto do ponto de vista estrutural (fora do palco italiano), quanto do ponto de vista da interatividade, quando propomos uma dramaturgia aberta à participação da comunidade. Investigando de forma responsável, ética e profissional estamos selecionando e difundindo um conhecimento, que vem sendo transmitido de família para família, passando antes pela comprovação científica de uma instituição de indiscutível responsabilidade social. Com bases no uso popular destes medicamentos de fácil acesso e de mão de obra barata, estamos contribuindo para o desenvolvimento sustentável das comunidades a qual nos apresentamos, durante as excussões deste projeto, assim como nas ações que venham a ser desenvolvidas posteriormente, de forma independente. Acreditamos no fortalecimento do desenvolvimento sustentável das comunidades na qual a obra criada venha a ser apresentada, difundindo o uso medicinal de plantas brasileiras. Ficha Técnica Direção: Glauber Xavier Interpretação: Valéria Nunes Execução Musical: GlauberXavier e Valéria Nunes Composição Musical: Tércio Smich e Glauber Xavier Figurinos e Adereços: Valéria Nunes Produção: GlauberXavier e Valéria Nunes

NÃO TENHO PALAVRAS – 2006

[nggallery id=26] Uma Saudável brincadeira subversiva encenada como um jogo sobre comunicação, publicidade e marketing pessoal, Não Tenho Palavras ousa na estrutura, repensa o teatro e a performance para além do palco e convida a platéia para atuar junto aos atores Este projeto experimental dirigido por Flávio Rabelo e Jonatha Albuquerque, busca novos olhares e novas expressões. Trata-se de um projeto de livre criação entre artistas distintos e novos atores. NTP funciona como uma experiência de comunidade caótica, onde a generosidade desnuda-se, revelando-se como qualidade essencial. O projeto uniu um grupo de atores – alunos dos cursos de Formação de Atores e Artes-Cênicas, ambos da Universidade Federal de Alagoas – que se destacaram num processo de audição pública. Entre os meses de Janeiro e Dezembro de 2005, estes atores estiveram assistidos por uma equipe de artistas e outros profissionais, de reconhecida competência. Não Tenho Palavras põe o consumismo em jogo e análise, inspirando-se no clichê do marqueting massivo e utilizando como campo de pesquisa, as relações estabelecidas entre jovens inseridos no mundo das comunidades virtuais. Durante a primeira temporada, que aconteceu em Janeiro de 2006, utilizamos as dependências do prédio, em reformas, da antiga Secretaria de Cultura e CENART – Centro de Belas Artes. A segunda temporada aconteceu em Novembro de 2006 no Armazém Oficina SEBAE, Projeto Off-Sina. Junte uma moeda, uma hóstia, um comprimido de viagra, um chiclete, um papel lembrete e uma cenoura. Agora tente descobrir o que eles têm em comum. Vamos lá, é apenas uma brincadeira. Pense mais um pouco. Complicado né? Bom, então, se a resposta não chegar e a curiosidade persistir é melhor conferir Não Tenho Palavras. Inovador, divertido e permeado de música e interatividade, Não Tenho Palavras extrapola as convenções do teatro tradicional ao funcionar como um jogo que convida à platéia a participar e a refletir sobre mídia, relações de consumo, publicidade e marketing pessoal. Em pouco mais de uma hora, o público – limitado a 30 pessoas por sessão – é conduzido pelos diversos ambientes instalados no Cenarte, numa espécie de anti-disputa cultural, com direito a jingles fictícios, música de celular, improvisos, vídeos, divisão da platéia e até um moderador andrógino. Ao final, num jogo em que a única regra é a participação, não há vencedores ou perdedores: todos saem vitoriosos. A partir dos seis objetos acima citados, o diretor/produtor Flávio Rabelo e os atores Magnum Angelo, Thays Karla, Udson Araújo, Vicente Brasileiro, Juliana Barreto e Ana Antunes iniciaram a criação da peça que faz jus a premiada estampa Saudáveis Subversivos. Iniciada em março de 2005 e considerada pelo grupo como uma obra em permanente processo de construção, Não Tenho Palavras também busca repensar o papel do palco nas artes cênicas. Apesar de alguns espectadores estranharem a fragmentação narrativa – que muda de seqüência, inclui, exclui e altera cenas a cada apresentação –, o diretor Flávio Rabelo justifica a anarquia estrutural, que é bem sucedida na arriscada tarefa de utilizar o instrumental lúdico para fazer pensar. “A idéia é a possibilidade de você sair de um ponto para outro sem maiores problemas, como se fosse um hipertexto na Internet no qual basta apenas clicar no link disponível e ir para outro assunto”. Na estréia como diretor nos Saudáveis Subversivos, Flávio Rabelo confessa que optou por uma montagem com cara de instalação em virtude de seus questionamentos sobre as motivações e os estímulos das pessoas em ir ao teatro atualmente. “Ninguém está mais querendo ir ao teatro e ficar sentadinho, passivo. Eu comecei a visualizar um espetáculo mais participativo, em que o público se relaciona com a obra de uma outra forma”, explica Rabelo, que não dirigia peças desde 1998. Outra inovação foi a venda de ingressos antecipados em uma comunidade criada no Orkut. Assim, o grupo garantiu um dinheiro extra para a produção que nasceu consciente do orçamento quase zero. “Ninguém recebeu nada até agora. Até o figurino foi dos atores”, diz o diretor, que cruza os dedos para o resultado do edital do prêmio Funarte Petrobras de Teatro que sai amanhã: o espetáculo concorre a uma verba de R$ 30 mil. Em processo Ao todo, 15 pessoas participaram do processo de construção de Não Tenho Palavras. A sensibilização musical e os efeitos sonoros foram desenvolvidos por Glauber Xavier e a preparação corporal pelo bailarino Jorge Schutze. “O trabalho do Jorge foi fundamental”, diz Flávio Rabelo. “A função dele extrapolou. Ele virou o grande filósofo, o grande questionador e ajudou a todo o processo acontecer”. Com 28 anos de carreira e passagens pelos Estados Unidos, Europa e Japão, Jorge Schutze está surpreso com o resultado do trabalho corporal, embora reconheça que o espetáculo esteja em constante elaboração. “No final das contas, o corpo é que é a obra de arte”, sentencia Jorge. “O mais legal é que Flávio Rabelo foi muito aberto e jogamos às claras o tempo inteiro, isso deixou o processo rico. Para mim, foi uma verdadeira conquista profissional”, diz. Construída e interpretada por jovens atores escolhidos numa seleção pública, Não Tenho Palavras começou de maneira arriscada: com um argumento aberto (a relação entre pessoas e comunicação) e seis intérpretes pouco experientes, que iriam construir uma dramaturgia sem palavras num teatro sem palco. “Toda a equipe foi muito corajosa. Para não ficarmos muito perdidos, bolei uma metodologia para todos trabalharem a partir dos objetos”, explica Flávio. Assim, realismo (moeda), pantomima (hóstia), instalação (viagra), musical (chiclete), improviso (papel lembrete) e cenografia (a cenoura) se entrelaçam nas 16 fases do jogo que compõe a montagem. Para o diretor, a maior virtude dos atores, além da boa vontade, foi exatamente a pouca experiência. “O fato deles serem ‘verdes’ foi positivo. Nós evitamos todas as muletas e os vícios que os atores carregam”, aponta. Mesmo sendo concebida, ensaiada e estreada na sede do Cenarte, Não Tenho Palavras poderá ser apresentada em outros espaços, principalmente em prédios abandonados. “A brincadeira vai ser transformar a peça em função dos espaços”, diz Flávio, que pretende levar a obra para o interior de Alagoas e viajar para festivais por todo o Brasil.

PEGA LADRÃO – 2003

[nggallery id=23] “Se gritar Pega Ladrão não fica um meu irmão” já dizia Bezerra da Silva. E não fica mesmo. Ainda mais quando vivemos num Mundo de Plástico – descartável, monopolizado por conceitos consumistas, vaidosos e de alta competitividade, impostos por meios de comunicação de massa, necessidades de mercado e um sistematizado processo de aculturação – não fica um meu irmão. Em Pega Ladrão os Saudáveis Subversivos pretendem provocar a reflexão através de um distúrbio moral, sem vergonha e cara de pau. Um recorte didático, visceral e tristemente cômico do universo criminal caracterizado pela banalização da violência na programação diária dos meios de comunicação. Os personagens são cinco Clóvinis (clowns clichês, irresponsáveis e vagabundos), engolidos pela urbanidade antropofágica. Dois malandros, um policial, uma misteriosa auxiliar de serviços gerais de um banco e uma pseudo poderosa Voz do Além. Ladrões envolvidos numa ridícula e absurda investigação policial. Discutir a criminalidade de forma aberta e divertida é o foco primordial desta pesquisa, apresentada em formato de uma produção teatral. Pois a ação social aliada a uma pesquisa de linguagem sistematizada pressupõe uma democratização de informações de utilidade pública de acesso direto a toda comunidade, independente do seu nível de instrução ou crença. Estaremos apresentando um painel da violência social cotidiana e ao mesmo tempo colocando uma série de questões pertinentes para a reflexão do público em geral. Pega Ladrão é fruto de um intenso trabalho em nível conceptual e temático que busca uma simplificação didática de dados oriundos do universo criminal, concentrando-se nas causas geradoras da criminalidade. Dentro desta pesquisa não nos interessa apresentar fatos isolados do contexto histórico e social de subjulgamento a que está condicionado o mundo capitalista globalizado. Criamos um universo fictício dentro de um panorama metafórico exacerbado de uma efemeridade sócio-industrial proporcionado pela metáfora do “Mundo de Plástico”, apresentando três “palhaços” engolidos por esta urbanidade antropofágica. Dois ladrões e um policial. números neste “Mundo de Plástico”. Reforçando a metáfora do “Mundo de Plástico” apresentamos um palco totalmente cercado pelo plástico, a ponto de invadir todo o público e criar uma luminosidade suja e opaca, e um estado de desconforto. Buscamos com esta ambientação ressaltar o desperdício dos costumes, provocando uma reflexão sobre este panorama sócio-cultural do consumo descontrolado. A sonoplastia é o resultado de uma pesquisa musical que traz alguns dos primeiros experimentos da eletrônica dentro da música de vanguarda em diversas partes do mundo. Ficha Técnica Concepção e Direção: Glauber Xavier Assistente de Direção: Valéria Nunes Elenco: Flávio Rabelo Marcia Danielli, Robert Santos, Valéria Nunes, Glauber Xavier e Ábia Marpin Trabalho Psicofísico do Ator: Thiago Sampaio Cenografia e Figurino: Glauber Xavier Iluminação: Erisvaldo Tavares Operação de Luz: Erisvaldo Tavares e Marcelo Dogat Apoio a Pesquisa: Fernando Coelho Orientação de Pesquisa Criminal: Erisvaldo Tavares Maquiagem: O Grupo Arte Gráfica: Canel Junior e Fernando Coelho Assessoria de Imprensa: Fernando Coelho Fotos: Renata Voss, Fernando Coelho e Jean Charles Produção: Glauber Xavier, Valéria Nunes e Erisvaldo Tavares

SÁBIA SARJETA – 2001

[nggallery id=17] Sábia Sarjeta foi responsável pela revitalização do Teatro Universitário de Alagoas – TUA como projeto de pesquisa do Curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Alagoas. Em 2002, esta instalação cênica foi incorporada aos Saudáveis Subversivos como um de suas primeiras produções. Baseada em uma concepção pessoal realizada a partir do texto “O Mendigo Ou O Cão Morto”, de Bertolt Brecht, a instalação cênica reúne cenografia, iluminação, maquiagem, projeções, música, performance, dança e teatro, na construção de uma “Máquina de Mostrar” onde tudo é manipulado pelos próprios atores dentro de uma pesquisa de um Teatro de Autogestão. Incluindo fragmentos poéticos do próprio Brecht, o prólogo do livro “O Corvo Branco” de Klaus Sonnefeld e depoimentos de crianças vítimas de guerras, a montagem pretende provocar uma reflexão sobre as relações de poder ao longo da história. Sinopse Esta Instalação Cênica apresenta dois atores, que controlam a luz, a sonoplastia e o cenário dentro de uma “Máquina de Mostrar”. A estória “mostrada” nesta máquina é guiada pelo diálogo de Brecht em seu O Mendigo ou o Cão Morto. Este diálogo entre uma mendiga e um imperador trata de uma reflexão sobre o poder e o sentido da guerra. Um Imperador que chega vitorioso de uma batalha e encontra uma mendiga fedendo a carniça, sentada em frente ao seu palácio e isso pode estragar o dia mais feliz da vida deste Imperador que segundo a Mendiga “não venceu batalha alguma, o que aconteceu foi que alguns idiotas mataram outros idiotas”. Toda esta discussão é permeada por reflexões postas numa estrutura épica de encenação. Em quatro anos de pesquisa histórica, prática teatral e luta contra a burocracia institucional, foi desenvolvida uma ação denominada de Teatro de Autogestão. O resultado dessa prática desencadeou nesta montagem experimental, que marcou a história dos palcos de Maceió no ano de 2001. Concepção Geral A concepção de Sábia Sarjeta deve ser analisada em primeiro lugar, do ponto de vista da realização de uma experiência encarada como sendo um Teatro de Autogestão ou uma busca do que seria uma concreta realização desta denominação. A autogestão aconteceu e acabou trazendo a tona questões referentes à necessidade de se estabelecer um teatro menos dispendioso do ponto de vista físico-financeiro e que viesse a ser mais claramente útil tanto às pessoas envolvidas no processo, quanto ao espectador e a sociedade. Estas questões foram sendo descobertas durante todo o processo, incluindo o período de capitação de recursos, produção e o período das apresentações. Identifico características semelhantes ao Teatro Pobre de Grotowski, diferenciando-se sobretudo, na questão de que a nossa busca por uma pobreza estava mais vinculada a questões financeiras que estéticas, e a maior aceitação de recursos didáticos e artesanais em cena. Também podemos relacionar com a prática de um Teatro Laboratório, dando maior ênfase à temática e a função de comunicação e reflexão sobre problemas gerais e especificamente de remuneração do ator e equipe. A idéia inicial foi inspirada numa citação de Bertolt Brecht Máquina de Mostrar, como em certa ocasião este dramaturgo e teórico se referiu a sua busca. Nos inspiramos também nos problemas enfrentados pelo TUA em gestões passadas, em épocas de luta contra as injustiças sociais e em defesa das minorias. Depois destas constatações foi fácil definir que o texto mostrado nesta Máquina seria O Mendigo ou o Cão Morto de Brecht, já que esta obra, além de tentar explicitar os nebulosos jogos de interesses que há por traz de uma guerra, mostra um mendigo como desvendador desta problemática. Premiações I – FENETEG – Festival Nordestino de Teatro em Guarabira – PB: 10 de Julho de 2002 Melhor Espetáculo Melhor Cenário Melhor Maquiagem Melhor Ator Melhor Atriz Ficha Técnica Concepção Geral: Glauber Xavier Direção: Glauber Xavier Assistente de Direção: Valéria Nunes Elenco: Glauber Xavier e Valéria Nunes Cenografia e Figurino: Glauber Xavier e Valéria Nunes Maquiagem: Glauber Xavier e Valéria Nunes Concepção de Iluminação: Glauber Xavier Plano de Luz: Glauber Xavier e Daniel Baboo Sonoplastia: Glauber Xavier Fotografia e Eslides: Flávio Rabelo Assessor de Imprensa: João Aresfi e Fernando Coelho Projeto Gráfico: Canel Júnior e Fernando Coelho Produção: Glauber Xavier e Valéria Nunes