Performance

Desde o início das ações dos Saudáveis Subversivos estivemos realizando performances e ações públicas. Acreditamos na linguagem da performance  – intervenções, Instaurações Cênicas, Happenings… Apresentamos aqui algumas ações que podem ser caracterizadas como performance. Prioritariamente não nos preocupamos com o conceito atrelado a cada ação e sim procuramos nos ocupar em agir dentro do nosso compromisso humano, social, espiritual e artístico. Gostamos da proximidade com o público e percebemos que ele também. Então, estamos quase sempre no chão, fora do palco, junto do público. Levamos nossas obras para locais como fábricas, praças, praias e ruas. Esta proximidade nos faz mais amigos, aprendemos um com o outro.

Rótulo – As impressões do Corpo – 2010

[nggallery id=31] Segundo Sygmunt Bauman, nosso espaço de convivência social tem sido conhecido como mercado, nos tornando uma sociedade de consumidores, onde estamos preparados para divulgarmo-nos e não para nos relacionar, e quanto melhor a aparência melhor será a divulgação, assumimos assim um papel de produtos.

Na sociedade de consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria, e ninguém pode manter segura sua subjetividade sem reanimar, ressuscitar e recarregar de maneira perpétua as capacidades esperadas e exigidas de uma mercadoria vendável (…) A característica mais proeminente da sociedade de consumidores – Ainda que cuidadosamente disfarçada e encoberta – é a transformação dos consumidores em mercadoria (Bauman, 2008. Pg 20)

A performance promove instigações sobre o corpo/imagem. Como pode ser possível termos propriedade de nossa imagem ante a relação abusiva e desconstrutiva do que é padrão de beleza na atualidade? O corpo social – cultural tem claramente forte domínio sobre o indivíduo, mas como induzir a aceitação da nossa própria imagem quando tudo ou muita coisa ao nosso redor nos grita para que sejamos desfigurados? Qual a imagem que temos de nós mesmos, frente ao espelho, frente aos outros, frente ao nosso desejo? Como tornar o corpo-produto em subjétil (Renato Ferracini). O corpo que é sujeito-objeto e ainda se projeta no tempo-espaço. Um corpo consciente. A obra investiga as exigências estéticas sobre o corpo, especialmente o feminino. Rótulo – As impressões do Corpo – surge como a primeira realização solo da performer Charlene Sadd. A obra foi desenvolvida dentro do Projeto da Cia LTDA, Registro Geral: Recuperação Material do Ato de Existir, premiado pelo Klauss Vianna de dança 2009 – FUNARTE.  Através do projeto a obra recebeu a logística para sua realização durante oito meses, além de contar com a interação de um público especializado: artistas de diversas áreas, professores de dança e teatro da Universidade Federal de Alagoas, impressa local: Gazeta de Alagoas, sendo representada pelo repórter Fernando Coelho e comunidade local. Apresentou o resultado final do projeto no dia 23 de junho de 2010 no último ensaio público. Uma obra autobiográfica que se inicia na verdade com produções de textos que formou o que passamos a chamar de Diário de Falsa Magrela, isso no ano de 2006. A partir desses textos no ano de 2008 começamos a experimentar algumas ações e que rendeu no projeto Falsa Magrela. No ano seguinte inscrevemos o projeto Falsa Magrela no Rumos Itaú Cultural – Dança -2009/2010, que propunha não uma obra pronta, mas,  uma pesquisa. No mesmo ano fomos junto com a Cia. LTDA selecionados pelo Klauss Vianna 2009. Durante o processo deste projeto a obra passa a se chamar Rótulo – As impressões do Corpo, alargando o universo conceitual da obra para além da questão de gênero alimentício, ou melhor, para além da questão distúrbio alimentar sofrida pela performer. Hoje podemos dizer que obra abarca uma discussão sobre as consequências de acentuar a própria imagem como centro de nossas vidas; de como uma sociedade imagética pode formar valores que destoam as nossas individualidades criando assim uma coletividade doentia. Charlene Sadd passa a integrar o núcleo de Artes Integradas dos Saudáveis Subversivos em 2010, finalizando o ano na produção da obra Desnuda e neste ano de 2011, associada aos Saudáveis Subversivos a obra Rótulo passa a fazer parte das produções da associação. Tendo uma restruturação na sua trilha sonora por Glauber Xavier (SauSub). A obra participou do:

  • Festival de Apartamento em fevereiro de 2010 – SP;
  • Apresentou no dia 02 de setembro de 2010 de forma independente junto com outros artistas na Cia do chapéu – AL.
  • No dia 04 de outubro participou da programação do Encontro: Processos Criativos Em Artes Cênicas e Audiovisual – NACE – UFAL – AL.
  • Novamente se apresentou na Cia. do Chapéu no dia 20 de Outubro de 2010 para curadoria do Festival MOVE BERLIM 2011 – AL.

Ficha Técnica Concepção Geral e Intérprete Criadora: Charlene Sadd Concepção de Iluminação: Careca – AL Operação de Iluminação e Sonoplastia: Mary Vaz Música: Glauber Xavier Fotos: Renata Marques Produção: Mary Vaz e Renata Marques

Instantâneo Integral – 2007

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Trecho da reportagem JORNAL GAZETA DE ALAGOAS (quinta-feira, 29 de julho de 2010).

Reportagem de Fernando Coelho.

Deitada no chão, Mary Vaz está imóvel. Ao fundo, um aparelho de som pendurado toca um mantra composto por sinos. Na parede, inicia-se a projeção do filme Fernão Compelo Gaivota (1973), do diretor Hall Bartley, inspirado no livro homônimo do escritor norte-americado Richard Bach. Com os minutos, a respiração torna-se ofegante. Mary respira como se estivesse buscando uma ancestralidade perdida. “Instantâneo Integral mexe com todos os aspectos de energia do meu corpo, principalmente porque é um resgate da minha infância”, explicou ela, no debate que seguiu ao término da performance. Inicialmente concebido para uma prova do curso de Formação do Ator da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Instantâneo Integral foi posteriormente objeto de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Teatro. A partir daí, a performance ganhou vida própria e chegou a ser apresentada nos projetos Overdoze e Aldeia Sesc, do Sesc. Com o tempo, Mary retirou todos os aparatos, a ponto de ficar sozinha em cena. A partir de Registro Geral, ela passou a enxergar uma configuração definitiva para a apresentação. Tudo com a ajuda do público. No ensaio, não havia o vídeo. E aí ficou mais claro que a inquietação corporal da performer remitia à sua própria existência, ao questionamento sobre seu lugar e seu papel no mundo. O filme – sobre uma gaivota que literalmente deseja alçar voos mais altos e por isso é expulsa de seu bando -, reforçou a ideia, mas minou a tensão e a experiência quase metafísica proporcionada por sua performance. “É um acordar para a vida. Eu caio, mas levanto, como acontece com a gaivota”, disse. Quem também compareceu aos ensaios ou conhecia a obra de outros tempos pôde comparar: “Está muito mais amadurecido” ou “Ao meu ver, o poético e o performativo se juntaram e estão num diálogo interessante. O político começa a se tornar poético dentro deste trabalho”. Noutro momento, a artista convida o público a escrever sobre seu corpo. No som, uma gravação com a sua voz diz: “Estou querendo ser o que ainda não sou: perfeita”. Da plateia, mais opiniões: “O processo de escrita é um instantâneo integral. É algo que você não controla”. A primeira coisa a se dizer sobre Instantâneo Integral é que essa performance tornou-se uma  questão de respiração. De respirar quem sou: desejos, objetivos, segredos, hábitos, medos, mentiras e verdades, de uma forma simples mas, singular.  “O segredo da vida é a respiração, respirar tudo isso: a natureza os animais…” O tempo é o meu aliado nessa busca introspectiva, mas compartilhada; Por ele me espaço, me re-faço. Cada minuto nessa performance é multiplicado, o tempo fora do tempo comum, restaurado para um ato. A obra surgiu assim de uma necessidade de intregar-se. De propor a si mesmo uma ação instantânea com base nas posturas, experiências e estilo de vida, referências próprias da performer. Um corpo, uma trilha, e alguns textos e o grande segredo o tempo Agora se relacionando com um eu que já é passado, programado, selecionado.  O público: espera, espera, testemunha e ao fim comunga escrevendo poemas no corpo da performer. Essa performance integra outras duas que são Pele de Papel (2007) (http://www.youtube.com/watch?v=cas-LOamsEU) e Parada na Pista (2008). Um breve histórico da performance: Em fevereiro de 2007 – Apresentação para o curso Formação do Ator da Universidade Federal de Alagoas – UFAL. Em meados de 2007 – FIT- Festival Independente de Teatro 2007 – Universidade Federal de Alagoas – UFAL. Em novembro de 2008 – Experimento Parada na Pista (fragmento de Instantâneo Integral) na rua do comércio da cidade de Maceió – AL. Em agosto de 2009 – Mostra ALDEIA – SESC 2009. SESC, Centro Alagoas. Em dezembro de 2009/ 23 de Junho de 2010 – Integrou o projeto: Registro Geral – Recuperação Material do Ato de Existir da Cia. LTDA, premiado pelo Klauss Vianna de Dança 2009 da FUNARTE. Durante esse período, a cada fim de mês os processos eram abertos para o público. Neste projeto Instantâneo Integral se apresentou três vezes. No dia 20 de fevereiro de 2010 – Se apresentou na VII edição do Festival de Apartamento, na cidade de São José do Rio Preto – SP, Festival de Performance Independente. No dia 30 de Outubro de 2010 – Apresentação especial de Instantâneo Integral para a curadoria do festival MOVE BERLIN 2011. Curador Wagner Carvalho e BjörnDirkSchlüter.

Desenho do Desejo – 2004

[nggallery id=11] Mapeado pelo Rumos Itaú Cultural – artes visuais e pela Rede Nacional de Artes Visuais da FUNARTE – Este projeto consiste numa construção de obras visuais coletivas, produzidas por diferentes grupos de pessoas em diferentes lugares da América Latina. Desenho do Desejo esteve presente no ENTEPOLA – Encontro de Teatro Popular Latino Americano – 2005, em Santiago do Chile; no FSM – Fórum Social Mundial – 2005, em Porto Alegre, dentro da programação do Museu Vivo da Diversidade; no Palco Giratório – 2006, Maceió-AL; no Terreiro de Jesus, Pelourinho – Salvador-BA; e no FAZ – Festival da América do Sul – Brasil/Bolívia – 2006. O processo acontece com o foco voltado para uma pratica criativa, onde se instaure uma obra performática. A série de acontecimentos performáticos transitam por instaurações que mesclam happening e interatividade, inserindo performers como criadores/criaturas num ambiente provocativo, onde atuamos com diferentes grupos de pessoas na confecção de obras coletivas. Para os Saudáveis Subversivos este é um projeto muito vivo, pela imprevisibilidade, pelo risco de se surpreender ou decepcionar-se com as reações das pessoas. Esse caos do acaso é vida que se renova a cada segundo, numa eterna contemporaneidade instintiva. Colocando os impulsos, ações e reações em jogo e análise, podemos refletir sobre cada nova decisão tomada por um performer (atuante consciente) ou um receptor (atuante inconsciente de que sua simples presença consiste em cena, onde arte, vida e reflexão compõem o texto dialético da obra). Observamos os panoramas encontrados a cada nova instauração e questionamos nossas próprias conclusões. Em Desenho do Desejo a ação libertária acontece dentro da proposta de construção de um espaço criativo coletivo, que provoque a interatividade através da total liberdade criativa e técnica, pondo em reflexão a coragem, a participação, a vontade, o repartir o seu espaço e o respeitar a igualdade das diferenças como um todo.

Inversos Felizes – 2003

[nggallery id=15] Performance Poética itinerante realizada durante o IV Salão Alagoano do Livro e da Arte. Esta performance construída em conjunto por Glauber Xavier e Valéria Nunes funciona como uma narração “expressionista” sobre o livro homônimo do poeta cearense Francélio Figueiredo (claramente um saudável subversivo). Inversos Felizes expõe o conteúdo do livro recortando fragmentos e recombinando-os em imagens poéticas. A cena acontece com os dois performances surgindo dentro do evento, Glauber (fã incondicional do autor) toma por suas, as nuanças e inquietações dos poemas enquanto que Valéria aparece como uma miração do artista, transfigurando-se em musas e representações de desejos insinuados. Dentro da cena, Glauber assume o papel de um cego vendedor do folheto “Inversos Felizes”

A arma que atira para todos os lados – 1999

[nggallery id=9] “Um elaborado discurso sobre o conflito e a dualidade, mesclando fotografia, instalação e performance, arte e cenografia, interpretação e desejo”; estas são palavras do curador Marcos Lontra da exposição “Olhar Alagoas”, por ocasião da reabertura da Pinacoteca Universitária da UFAL.